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Uma breve história sobre a origem do Neurofeedback

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Em 1924 o psiquiatra austríaco Hans Berger demonstrou que era possível
mensurar a atividade elétrica cerebral (Cleary, 2011). Hans Berger construiu o
primeiro aparelho de encefalografia (EEG), sendo um dispositivo que permite o
registro gráfico da atividade elétrica do cérebro medida no couro cabeludo.
A atividade cerebral é medida em ondas por segundo (Hertz – Hz) e vária entre
0 e 20 Hz. Ondas curtas e rápidas geralmente estão associadas aos estados
cognitivos de atenção e concentração, enquanto ondas longas e lentas
significam estados de dispersão, devaneio, relaxamento ou sono.

No total, existem cinco principais tipos de ondas cerebrais: ondas delta, teta,
alfa, beta e gama. Cada uma dessas ondas tem uma frequência específica e
está associada a diferentes estados mentais e emocionais. Em Mascaro (2008) encontramos explicação de algumas dessas ondas:

  • Ondas Delta (ә) – Aparecem no sono mais profundo. Abrange as ondas de
    frequências mais lentas de 0,5 a 4 Hz, que são produzidas no estado mental
    de sono profundo, caracterizando a mente inconsciente. Quando presentes no
    estado de vigília, permite a intuição e a detecção de um perigo iminente,
    orientando o sujeito de “forma primal”, característico da “resposta de
    orientação”. Essa faixa de frequência é “estimulada por atividades que
    impliquem uma percepção mais refinada, seja ligada a ideias ou conceitos, arte
    ou no que diz respeito à compreensão da experiência subjetiva alheia”.
  • Ondas Theta (θ) – Ondas de devaneio. Observada no sono REM (Rapid Eye
    Movement), engloba as frequências entre 4 e 8 Hz. Produzindo estados
    mentais caracterizados por ondas mais lentas, representa a mente
    subconsciente composta pelos nossos conteúdos emocionais mais profundos e
    reprimidos, mas também nossas crenças e valores, nossa criatividade e
    espiritualidade, bem como tudo que diz respeito a nosso potencial pessoal, isto
    é, nossas habilidades, vocações, etc.”
  • Ondas Alfa (α) – Estados de extremo relaxamento. Abrange o intervalo de
    frequência entre 8 e 14 Hz, onde se produz os estados mentais que permitem
    visualizar o material proveniente do mundo interno envelopado em “imagens
    sensorialmente enriquecidas” (visuais, táteis, olfatórias e gustatórias).
    O Alpha faz, portanto, a ponte entre nossa mente consciente, em Beta, e nosso
    subconsciente, em Theta. (…) Ganhamos olhos, ouvidos, tato, até mesmo
    gustação e olfação para vivenciarmos nossas experiências interiores.
  • Ondas Beta (β) – Surgem normalmente nas pessoas adultas durante a
    atividade diária. Faixa que reúne as frequências mais rápidas, entre 14 e 38.
    Hz, representa o estado de vigília, assentando a atividade cerebral consciente
    e a cognição. É em beta, portanto, que nossas operações racionais acontecem
    e é aqui que nos damos conta das coisas que experimentamos, percebendo
    como elas nos afetam”.
    O excesso de ondas Beta configura uma mente analítica, crítica e ansiosa , que
    está constantemente interpretando e julgando a tudo e a todos, sendo que, a
    presença de ondas Beta na faixa entre 20 a 25 Hz de amplitude (voltagem) alta
    é característico dos estados de alta ansiedade e ataques de pânico;
  • Ondas SMR – Ondas de atenção.

 

Em meados da década de 1930 foi observada a possibilidade de se
recondicionar os padrões de emissões elétricas do cérebro humano, porém o
treinamento em humanos se iniciou em 1958, quando o doutor Joseph Kamiya
fez uma série de experimentos na tentativa de ensinar pacientes a alterar seus
padrões cerebrais (Lofthouse et al, 2012). O trabalho do doutor Kamiya tinha
como objetivo aumentar a produção de ondas alfa para provocar estados de
relaxamento nos pacientes e diminuir o stress (Steiner et al, 2014). Joe Kamiya
tornou o neurofeedback conhecido, na década de 1960, quando um artigo
sobre as suas experiências com ondas cerebrais alpha, foi publicado no
Psychology Today, em 1968 (Lofthous et al, 2012). Informa Simón (2011) que
Kamiya realiza, nesse sentido, estudos no âmbito do controle voluntário da
atividade encefalográfica, objetivando ensinar os sujeitos a controlarem a
produção de ondas cerebrais alfa (8-12 Hz), através da apresentação de
feedback contingente ao mesmo, estudando os efeitos comportamentais de tal
controle e sua relação com determinados estados de consciência (SIMÓN,
2011, p. 337).

O paciente era examinado com o eletroencefalograma e era perguntado a ele
se estava no “estado Alfa”. Verificava-se, através do EEG, se a resposta era
correta ou não. Nos primeiros treinos percebeu-se que a pessoa errava muito,
mas que, depois de alguns dias de treino, ela conseguia identificar
corretamente o momento em que estava no estado alfa e conseguia até induzir
esse estado. Demonstrou-se a partir daí, que era possível aprender a controlar,
conscientemente, um modo de funcionamento geral do cérebro, o estado de
consciência e a qualidade de funcionamento da mente. Assim nasceu o
Neurofeedback. O neurofeedback surgiu da junção da Neurologia, fisiologia e
da psicologia experimental. Baseia-se no registro e análise precisa da atividade
elétrica do cérebro. Esses parâmetros são selecionados e apresentados em
tempo real para quem está treinando em forma de auto informação (feedback).
Estes parâmetros representam determinados processos fisiológicos, que
normalmente ignorados e escapam ao nosso controle. O Neurofeedback é para
eles uma espécie de espelho: ao utilizar-se o sinal de auto informação,
aprende-se a modelar melhor estes processos. Afirma Mascaro (2008, p.29)
que Max Cade e Geoffrey Blundell realizando experimentos com sujeitos
altamente treinados em meditação demonstraram que, além de ser possível
correlacionar objetivamente a atividade cerebral com estados de consciência
especificados por padrões bem definidos de atividade elétrica, também era
possível modular conscientemente sua produção, permitindo, assim, reproduzi-
los e experimentá-los no dia a dia. Ou seja, o experimento, além de possibilitar
medir, aprender e treinar os padrões de atividade cerebral de monges yogis, o
que viabilizou o seu acesso a qualquer pessoa.

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