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Desenvolvimento emocional e social

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A adolescência é uma etapa de oportunidades e riscos. Para Erikson (1968), na adolescência a crise psicossocial enfrentada é a da identidade versus confusão de papéis. Não é mais uma criança dependente, mas ainda não é um adulto independente. Os adolescentes estão no limiar do amor, da vida profissional e da participação na sociedade adulta. Uma necessidade dessa etapa é a busca da própria identidade. Para formar sua identidade, os adolescentes precisam afirmar e organizar suas habilidades, suas necessidades, seus interesses e seus desejos de modo a definir os papéis que irão desempenhar na sociedade (ERIKSON, 1968). É um tempo de fazer escolhas, muitas delas duradouras, como a profissão e ter filhos. E o que percebemos é que, muitas vezes, os jovens assumem um trabalho ou a maternidade/paternidade sem que essas escolhas sejam conscientes de fato. Enfrentam a questão: Quem sou eu? Uma vez expostos a valores de amigos ou de outras pessoas de seu convívio externo, questionam os valores familiares, refletem sobre todos eles e fazem opções sobre os valores que irão adotar como seus, compondo sua própria identidade, que influenciará suas escolhas pessoais e profissionais. Todavia, sem apoio ou orientação durante essa crise, alguns desdobramentos da adolescência podem significar riscos para a saúde.

É relativamente comum a existência de distúrbios de alimentação, que resultam em obesidade ou anorexia e bulimia nervosa. A obesidade está associada a maus hábitos alimentares ou poucas informações relativas aos cuidados com o seu próprio corpo, enquanto que anorexia e bulimia nervosa podem estar associadas a cobranças excessivas com metas irreais. Do mesmo modo, os adolescentes são bastante vulneráveis ao contágio de doenças sexualmente transmissíveis e HIV, pois começam a vida sexual, muitas vezes, sem assumirem comportamentos preventivos. Em todos os casos, a orientação pode ajudar e até prevenir. Mas caso ocorram, há necessidade de encaminhamento adequado a nutricionistas, psicólogos ou médicos, de acordo com a situação específica.

O uso de drogas ou de álcool é um padrão de comportamento pouco adaptativo que pode começar como uma brincadeira ou para agradar o grupo de amigos e, depois, levar a dependência dessas substâncias. Masse e Tremblay (1997) levantam alguns fatores de risco para o uso de drogas: fraco controle dos impulsos; tendência a buscar sensações em vez de evitar danos; influências familiares (histórico de uso de drogas na família); presença de práticas educativas fracas e inconsistentes; problemas de comportamento precoce e consistente; fracasso acadêmico; associação a usuários de drogas; alienação e rebeldia; atitudes favoráveis ao uso de drogas; e iniciação precoce ao uso de drogas.

As mudanças físicas típicas da adolescência podem incentivar a procura da companhia dos pares que estão passando pelas mesmas alterações. O grupo de amigos é uma fonte de afeição, solidariedade, compreensão e orientação moral. Mas também é um lugar de experimentação e de formação de relacionamentos íntimos, que servem de treino para a intimidade adulta. É nesses grupos que os adolescentes exercitam a amizade. É um relacionamento diferente daqueles desenvolvidos na família. As relações são igualitárias e baseadas em escolhas, o que pode dar a elas um caráter de instabilidade. A escolha, em geral, recai em pessoas parecidas com eles. A maior intimidade da amizade adolescente revela o seu desenvolvimento cognitivo, ou seja, nessa relação eles são capazes de expressar seus É relativamente comum o adolescente se envolver em um ou outro ato antissocial, mas o mais preocupante é o “infrator crônico”. Ele, em geral, foi uma criança com problemas de comportamento e tem grande chance de ser um adulto delinquente. Todavia, alguns fatores podem ser de risco para o aparecimento e manutenção desses comportamentos, sendo um deles a influência exercida pelos pais. O uso de práticas parentais positivas tende a gerar filhos bem adaptados e não envolvidos em comportamentos antissociais. O uso excessivo de práticas negativas, como a punição física, a punição inconsistente (aquela baseada no humor dos pais) e a presença de indicadores emocionais (depressão, ansiedade) nos genitores podem ser preditivos para a presença de comportamentos antissociais (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006). A influência de pares também pode ser fator fundamental no envolvimento em comportamentos antissociais. Como a constituição dos grupos é determinada por semelhança, é possível que os adolescentes com problemas de comportamento frequentem o mesmo grupo. Por meio do exposto, fica claro o quanto é impossível separar os fatores individuais dos ambientais, uma vez que modificamos e somos modificados pelo ambiente em que vivemos. O ambiente também tem forte poder de interferência na predição do comportamento violento dos adolescentes. A prevenção de atos antissociais é um desafio para a nossa sociedade.

Um dos fatores que está associado ao comportamento pró-social é o sucesso acadêmico, aumentando a necessidade de nós, professores, revermos as nossas práticas e tentarmos ajudar e contribuir para o aumento da competência acadêmica dos nossos estudantes. Outro aspecto importante e relacionado também à adolescência é o desenvolvimento da sexualidade.

Como vimos, o desenvolvimento é algo contínuo no ser humano e depende do contexto para que possa ser favorável ou não. Diversos aspectos são comuns a muitas pessoas, o que possibilita trabalhos focais, envolvendo-os. Outros são específicos, frutos de condições da própria pessoa (a presença de algum tipo de deficiência) ou, ainda, frutos de condições sociais e/ou culturais (ser índio ou vir de outro país). Em qualquer dos casos, precisamos  estar atentos para compreender e contribuir com o desenvolvimento dos nossos filhos.

 

Terminamos com este info a série de 4 sobre Desenvolvimento Cognitivo e Psicosocial de crianças e adolescentes, espero que tenham colaborado com a tarefa de educar os filhos.

Fiquem à vontade para sugerir outros temas ou entrarem em contato.

 

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